SÃO POLICARPO, bispo de Esmirna (Santo do dia)

Temos hoje a memória obrigatória de São Policarpo, que com Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Papias, pertence ao grupo dos assim chamados “Padres Apostólicos”, porque, em sua vida e em seus escritos, testemunhou a fé recebida diretamente dos apóstolos. Estes Padres Apostólicos foram o elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano, na passagem do primeiro para o segundo século. 

Conhecemos esta grande figura através das notícias de seu discípulo, Santo Irineu, e de uma carta escrita pelo próprio Policarpo aos fiéis de Filipos. Irineu evoca com grata comoção a memória de seu mestre, dizendo: 
“Recordo as coisas de então melhor do que as recentes. Poderia assinalar o lugar em que sentava Policarpo para ensinar... seu modo de vida, os traços de sua fisionomia e as palavras que dirigia à multidão. Poderia reproduzir o que nos contava de seu trato com São João apóstolo e os demais que tinham visto o Senhor e como repetia suas mesmas palavras". 
Logo depois,  Policarpo foi colocado como bispo de Esmirna pelo próprio São João apóstolo e, pela retidão de seu caráter, pelo alto saber, pelo amor à igreja e zelo pela ortodoxia da fé, era considerado e estimado em todo o Oriente.

Como líder da comunidade, vemo-lo, em meados do século II, viajando para Roma a fim de tratar com o Papa Aniceto das divergências entre as duas comunidades, a do Oriente e do Ocidente, a respeito da data da celebração da Páscoa. Mesmo sem chegar a um acordo, os dois bispos celebraram juntos a Eucaristia, significando que uma questão meramente disciplinar não devia lesar a união eclesial.

O mais que sabemos sobre Policarpo refere-se ao seu martírio, descrito numa carta autêntica que os fiéis de Esmirna enviaram a seus irmãos de Filomélio, na Frígia. Na época de seu martírio, Policarpo era respeitável ancião de oitenta e seis anos. Contra o procedimento temerário de alguns cristãos que se apresentavam ao martírio, o velho bispo preferiu manter-se oculto por algum tempo e assim animar suas ovelhas. Mas acabou sendo delatado e preso como chefe dos cristãos.

Foi condenado à morte pelo fogo. O povo pagão, instigado por diversos grupos, encarregou-se de erguer o mais depressa possível a fogueira que consumiu o corpo do bispo, no estádio da cidade. Policarpo recusou ser amarrado e subiu sozinho à fogueira, pronunciando esta prece: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos”.

O relato de seu martírio termina com uma preciosa notícia sobre o culto litúrgico. Os judeus queriam impedir que os cristãos recolhessem as relíquias do mártir, para que, diziam, “não aconteça que comecem a adorar Policarpo como fazem com Cristo". Mas os cristãos atestaram:

“Nós só adoramos a Cristo, ao passo que recolhemos seus ossos como ouro e pérolas preciosas, e lhes damos honrosa sepultura. A seguir celebramos alegremente a nossa reunião eucarística, como mandou o Senhor, para comemorar o natalício do seu mártir”. 

Sofreu o martírio pelo ano de 155.

Fonte: CONTI, Dom Servilio. O Santo do Dia. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1984


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